segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Explicando o "Glória" na missa



A música é algo de suma importância na Liturgia, no YOUCAT vemos o seguinte: “Nas celebrações litúrgicas, a música deve tornar a oração mais bela e interior, agarrar profundamente os corações dos presentes e levá-los a Deus, proporcionando-Lhe uma festa de sons”(183)
E o Catecismo da Igreja Católica diz: “O canto e a música desempenham sua função de sinais de maneira tanto mais significativa por ‘estarem intimamente ligados à ação litúrgica’, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. Participam assim da finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis: Quanto chorei ouvindo vossos hinos, vossos cânticos, os acentos suaves que ecoavam em vossa Igreja! Que emoção me causavam! Fluíam em meu ouvido, destilando a verdade em meu coração. Um grande elã de piedade me elevava, e as lágrimas corriam-me pela face, mas me faziam bem.”(1157)
Quem vai à Missa uma vez por semana ao mais percebe a diversidade de cantos que há e que são entoados, dentre eles vemos que são cantados vários “glórias” e muitos deles infelizmente são anti-litúrgicos. Mas porque isto acontece? Talvez pro causa da falta de conhecimento dos músicos ou celebrantes, e outros motivos.
Quantas vezes no momento do hino de louvor, ouvimos músicas como: Glória, glória, aleluia, louvemos ao Senhor. Um amigo me disse que certa vez em uma Missa, ele ouviu aquela que diz assim: “A Ele a glória, a Ele o louvor, a Ele o domínio, Ele é o Senhor”. Não tenho nada contra estas músicas, ao contrário, até canto elas quando são cantadas em reuniões da minha comunidade, mas para a Liturgia , elas e semelhantes, não são apropriadas.

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“O Glória é um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro. O texto deste hino não pode ser substituído por outro. Entoado pelo sacerdote, ou, se for o caso, pelo cantor ou grupo de cantores, é cantado por toda a assembleia, ou pelo povo que o alterna com o grupo de cantores, ou pelo próprio grupo de cantores. Se não for cantado, deve ser recitado por todos juntos ou por dois coros dialogando entre si. É cantado ou recitado aos domingos, exceto no tempo do Advento e da Quaresma, nas solenidades e festas e ainda em celebrações especiais mais solenes” (Instrução Geral do Missal Romano, 31)

Esta é a formula original do Glória:
Em português
Em latim
Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens por Ele amados.

Senhor Deus, Rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso:
nós Vos louvamos,
nós Vos bendizemos,
nós Vos adoramos,
nós Vos glorificamos,
nós Vos damos graças,
por vossa imensa glória,
Rei Celeste, Deus Pai Onipotente.


Senhor Jesus Cristo, Filho Unigénito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai:
Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós;
Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica;
Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós.

Só Vós sois o Santo;
só Vós, o Senhor;
só Vós, o Altíssimo, Jesus Cristo;
com o Espírito Santo na glória de Deus Pai.

Amém.
Gloria in excelsis Deo
et in terra pax hominibus bonae voluntatis.

Laudamus te,
benedicimus te,
adoramus te,
glorificamus te,
gratias agimus tibi
propter magnam gloriam tuam,
Domine Deus, Rex caelestis,
Deus Pater omnipotens.

Domine Fili unigenite Jesu Christe,
Domine Deus, Agnus Dei, Filius Patris,
qui tollis peccata mundi, miserere nobis.
Qui tollis peccata mundi,
suscipe deprecationem nostram.
Qui sedes ad dexteram Patris,
miserere nobis.

Quoniam tu solus sanctus,
tu solus Dominus,
tu solus altissimus, Jesus Christe,
cum sancto Spiritu, in gloria Dei Patris.

Amen.

Segundo o Padre Joaquim Fonseca “o ‘Glória’ pode ser dividido em três partes: 
a)     O canto dos anjos na noite do nascimento de Cristo ‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados’.
b)     Os louvores a Deus Pai: ‘Senhor Deus, rei dos céus, Deus pai todo-poderoso: nós vos louvamos, nós vos bendizemos, nós vos adoramos, nós vos glorificamos, nós vos damos graça por vossa imensa glória’.
c)      Os louvores seguidos de súplicas e aclamações a Cristo: ‘Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica. Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós. Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo Jesus Cristo’.

     O ‘Glória’ termina com um final majestoso, incluindo o Espírito santo. É importante lembrar que esta inclusão não constitui, em primeira instância, um louvor explícito à terceira pessoa da Santíssima Trindade. O Espírito Santo aparece com o Filho, pois é neste que se concentram os louvores e súplicas. Em outras palavras: o Cristo se mantém no centro de todo o hino. Ele é o Kyrios, isto é, o Senhor que desde todos os tempos habita no seio da Trindade.”
Portanto, concluímos também que o “Glória” não é um canto trinitário, mas uma formula que deve ser seguida conforme é originalmente, sem alteração de nenhuma parte. Sua origem remonta ao século V, no oriente cristão, por isso não podemos deixar que essa joia rara seja maltratada ou substituída na Santa Missa.

Fontes: Wikipedia e site Sagrada Liturgia

Referências:
YOUCAT, Vaticano, 2011.
Catecismo da Igreja Católica, Vaticano, 1992;
FONSECA, JOAQUIM. Cantando a Missa e o Ofício Divino. 3º edição. São Paulo-SP: Editora Paulus, 2004. (Liturgia e Música)